Um episódio no mínimo, cênico.
Era dia oito de dezembro, na praça Tiradentes, local movimentado e com grande número de lojas comerciais de propriedade de árabes. Um indivíduo dirigindo-se a uma das lojas compra um pente e pede uma nota fiscal. O comerciante se recusa, pela quantia exígua e também por não ser obrigado. O freguês então começou a destratá-lo, começam a discutir e acabam por se atracar em violenta luta corporal, vindo o exaltado consumidor, a fraturar uma perna. A partir daí, a insensatez tomou conta da cidade. Transeuntes que passavam, incitados pêlos gritos do cidadão e indignados com o fato, começaram a apedrejar a loja, e mesmo com o rápido abaixar das portas pelo comerciante, entre paus e pedras a turba que imediatamente se formou, arrancou-as e invadiu o estabelecimento destruindo-o e saqueando. A família, que estava presente nos balcões, fugiu para os fundos da loja, e procurou refugio nas casas vizinhas. Lá fora o grupo logo foi engrossado por dezenas de outros indivíduos e o rastilho de violência pegou fogo. Foram dois dias de quebra-quebra, arruaça e deboche às forças da ordem. Os insultos e apedrejamentos que visavam principalmente a comunidade síria-libanesa e suas lojas. A Polícia militar e polícia civil, auxiliados por bombeiros não foram capazes de controlar os 2.000 insurgentes. Finalmente foi preciso a intervenção do exército, com tanques e soldados armados para acabar com o levante civil que teve coloridos nacionalistas. Houve feridos, tiros, saques e destruição. Ao todo 181 prédios foram danificados, dentre lojas, bares, órgãos públicos, bancas de revista e até mesmo carrinhos de pipoca.
3 de janeiro de 2010
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